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terça-feira, 5 de julho de 2011

POSITIO FRATERNITATIS ROSAE CRUCIS
















MANIFESTO



Positio


Fraternitatis Rosae Crucis



Salutem Punctis Trianguli!




Neste primeiro ano do terceiro milênio, sob o olhar do Deus de todos os homens e de toda a vida, nós, deputados do Conselho Supremo da Fraternidade Rosacruz, julgamos que era chegada a hora de acender a quarta Chama R+C, a fim de revelar nossa posição quanto a situação atual da Humanidade e trazer à luz as ameaças que pesam sobre ela, mas também as esperanças que nela depositamos.



Assim seja!


Ad Rosam per Crucem


Ad Crucem per Rosam


Antiquus Mysticusque Ordo Rosae Crucis



MANIFESTO
Positio
Fraternitatis Rosae Crucis



© agosto 2001 Ordem Rosacruz, AMORC




Esta obra é a continuidade dos Manifestos Rosacruzes publicados no século XVII em que a Ordem Rosacruz torna pública sua posição diante do estado atual do mundo, e constitui um elo de ligação entre os rosacruzes do passado, do presente e do futuro. Assim sendo, este Manifesto não é destinado unicamente aos Rosacruzes, mas deve ser difundido amplamente para que sua mensagem seja conhecida pelo maior número de pessoas possível. Por isso, a Ordem Rosacruz, AMORC autoriza a sua reprodução e divulgação pedindo apenas que lhe seja creditada a autoria.







Este pronunciamento internacional publicado pela Suprema


Grande Loja da Ordem Rosacruz, AMORC,


foi traduzido e editado na:



Grande Loja da Jurisdição de Língua Portuguesa.


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Fone (0**41)351-3000 – FAX (0**41)351-3065


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PRÓLOGO


Caro leitor:


Por não podermos nos dirigir diretamente a você, fazemo-lo por meio deste Manifesto. Esperamos que tome conhecimento dele sem preconceito e que ele suscite em você ao menos uma reflexão. Não queremos convencê-lo da legitimidade desta Positio, mas partilhá-la livremente com você. Naturalmente, esperamos que ela encontre um eco favorável em sua alma. Caso contrário, apelamos à sua tolerância…









Em 1623, os rosacruzes afixaram nos muros de Paris cartazes ao mesmo tempo misteriosos e intrigantes. Eis o seu texto:


“Nós, deputados do Colégio principal da Rosa+Cruz, demoramo-nos visível e invisivelmente nesta cidade pela graça do Altíssimo, para O Qual se volta o coração dos Justos. Mostramos e ensinamos a falar sem livros nem sinais, a falar todas as espécies de línguas dos países em que desejamos estar para tirar os homens, nossos semelhantes, de erro de morte.


Se alguém quiser nos ver somente por curiosidade, jamais se comunicará conosco, mas, se a vontade o levar realmente a se inscrever no registro de nossa Confraternidade, nós, que julgamos pensamentos, faremos com que ele veja a verdade de nossas promessas; tanto é assim que não estabelecemos o local de nossa morada nesta cidade, visto que os pensamentos unidos à real vontade do leitor serão capazes de nos fazer conhecê-lo, e ele a nós.”




Alguns anos antes, os rosacruzes já se haviam dado a conhecer publicando três Manifestos deste então célebres: Fama Fraternitatis, Confessio Fraternitatis e O Casamento Alquímico de Christian Rosenkreutz, que apareceram respectivamente em 1614, 1615 e 1616. Na época, esses três Manifestos suscitaram numerosas reações, não somente da parte dos meios intelectuais, mas também das autoridades políticas e religiosas. Entre 1614 e 1620, cerca de 400 panfletos, manuscritos e livros foram publicados, alguns para elogiá-los, outros para os denegrir. De qualquer forma, seu aparecimento constituiu um evento histórico muito importante, especialmente no mundo do esoterismo.


Fama Fraternitatis foi dirigido às autoridades políticas e religiosas, bem como aos cientistas da época. Ao mesmo tempo em que fazia um balanço talvez negativo da situação geral na Europa, revelou a existência da Ordem da Rosa+Cruz através da história alegórica de Christian Rosenkreutz (1378-1484), desde o périplo que o levara pelo mundo inteiro antes de dar vida à Fraternidade Rosacruz, até à descoberta de seu túmulo. Esse Manifesto já fazia apelo a uma Reforma Universal.


Confessio Fraternitatis completou o primeiro Manifesto, por um lado insistindo na necessidade do ser humano e a sociedade se regenerarem e, por outro lado, indicando que a Fraternidade dos Rosacruzes possuía uma ciência filosófica que permitia realizar essa Regeneração. Nisso ela se dirigia antes de tudo aos buscadores desejosos de participar nos trabalhos da Ordem e promover a felicidade da Humanidade. O aspecto profético desse texto intrigou muito os eruditos da época.


O Casamento Alquímico de Christian Rosenkreutz, num estilo bastante diferente dos dois primeiros Manifestos, relatou uma viagem iniciática que representava a busca da Iluminação. Essa viagem de sete dias se desenrolava em grande parte num misterioso castelo onde deviam ser celebradas as bodas de um rei e de uma rainha. Em termos simbólicos, o Casamento Alquímico descrevia a jornada espiritual que leva todo Iniciado a realizar a união entre sua alma (a esposa) e Deus (o esposo).


Como sublinharam historiadores, pensadores e filósofos contemporâneos, a publicação desses três Manifestos não foi nem insignificante nem inoportuna. Ocorreu numa época em que a Europa atravessava uma crise existencial muito importante: estava dividida no plano político e se dilacerava em conflitos de interesses econômicos; as guerras de religiões semeavam desgraça e desolação, mesmo no seio das famílias; a ciência tomava impulso e já assumia uma orientação materialista; as condições de vida eram miseráveis para a maioria das pessoas; a sociedade da época estava em plena mutação, mas faltavam-lhe referências para evoluir no sentido do interesse geral...


A História se repete e põe regularmente em cena os mesmos eventos, mas numa escala geralmente mais vasta. Assim, perto de quatro séculos após a publicação dos três primeiros Manifestos, constatamos que o mundo inteiro, mais estritamente a Europa, enfrenta uma crise existencial sem precedentes, em todos os campos de sua atividade: política, econômica, científica, tecnológica, religiosa, moral, artística, etc. Por outro lado, nosso planeta, isto é, nosso campo de vida e evolução, está gravemente ameaçado, o que justifica a importância de uma ciência relativamente recente, qual seja, a ecologia. Seguramente, a Humanidade atual não está bem. Por isso, fiéis à nossa Tradição e ao nosso Ideal, nós, Rosacruzes dos tempos atuais, julgamos que seria útil darmos testemunho disso através desta Positio.


Positio Fraternitatis Rosae Crucis não é um ensaio escatológico. De maneira nenhuma é apocalíptico. Como vimos de dizer, seu objetivo é transmitir nossa posição quanto ao estado do mundo atual e pôr em evidência o que nos parece preocupante para o seu futuro. Como já o fizeram em sua época nossos irmãos do passado, desejamos também apelar para mais humanismo e espiritualidade, pois temos a convicção de que o individualismo e o materialismo que prevalecem atualmente nas sociedades modernas não podem trazer aos homens a felicidade a que eles legitimamente aspiram. Esta Positio sem dúvida parecerá alarmista para alguns, mas “não há surdo pior do que aquele que não quer ouvir e cego pior do que aquele que não quer ver”.

A Humanidade atual está ao mesmo tempo perturbada e desamparada. Os imensos progressos que ela realizou no plano material não lhe trouxeram verdadeiramente felicidade e não lhe permitem entrever o futuro com serenidade: guerras, fome, epidemias, catástrofes ecológicas, crises sociais, atentados contra as liberdades fundamentais, são outros tantos flagelos que contradizem a esperança que o Ser Humano depositara em seu futuro. Por isso dirigimos esta mensagem a quem a queira de bom grado ouvir. Ela segue a linha daquela que os rosacruzes do século XVII exprimiram através dos três primeiros Manifestos, mas, para compreendê-la, é preciso ler o grande livro da História com realismo e dirigir um olhar lúcido para a Humanidade, este edifício feito de homens e mulheres em via de evolução.














POSITIO R+C






O Ser Humano evolui através do Tempo, como o faz, aliás, tudo aquilo que participa no seu campo de vida, bem como o próprio Universo. Aí está uma característica de tudo o que existe no mundo manifesto. Mas consideramos que a evolução do Ser Humano não se limita aos aspectos materiais de sua existência, convictos que estamos de que ele tem uma alma, ou seja, uma dimensão espiritual. Conforme pensamos, é ela que dele faz um ser consciente, capaz de refletir sobre a sua origem e o seu destino. Por isso consideramos a evolução da Humanidade como um fim, a Espiritualidade como um meio e o Tempo como um revelador.





A História não é tão inteligível pelos eventos que a geram, ou que ela gera, quanto pelos elos que os unem. Por outro lado, ela tem um sentido, o que a maioria dos historiadores atuais de bom grado admite. Para compreendê-la, é preciso então levar em consideração os eventos, é verdade que como elementos isolados, mas também e sobretudo como elementos de um todo. Com efeito, consideramos que um fato só é verdadeiramente histórico com relação ao conjunto a que pertence. Dissociar os dois, ou fazer de sua dissociação uma moral da História, constitui uma fraude intelectual. Assim é que há proximidades, justaposições, coincidências ou concomitâncias que nada devem ao acaso.


Como dissemos no Prólogo, vemos uma similitude entre a situação atual do mundo e a da Europa no século XVII. Aquilo que alguns já qualificam como pós-modernidade, acarretou efeitos comparáveis em numerosos campos e, infelizmente, provocou certa dege­nerescência da Humanidade. Mas pensamos que essa degenerescência é apenas temporária e que acabará numa Regeneração individual e coletiva, na condição, não obstante, de que os homens dêem uma direção humanista e espiritualista ao seu futuro. Se não o fizerem, estarão de fato se expondo a problemas muito mais graves do que aqueles que estão enfrentando atualmente.




Com base na nossa Ontologia, consideramos que o Ser Humano é a criatura mais evoluída dentre as que vivem na Terra, mesmo se às vezes se comporta de maneira indigna no tocante a esse status. Ele ocupa essa situação privilegiada porque é dotado de autoconsciência e de livre-arbítrio. É então capaz de pensar e orientar sua existência por suas próprias escolhas. Acreditamos também que todo ser humano é uma célula elementar de um único e o mesmo corpo, o corpo da Humanidade inteira. Em virtude deste princípio, nossa concepção do Humanismo consiste em afirmar que todos os homens deveriam ter os mesmos direitos, gozar do mesmo respeito e desfrutar a mesma liberdade, independentemente do país onde nascessem e daquele onde vivessem.


Quanto à nossa concepção da Espiritualidade, está fundada, por um lado, na convicção de que Deus existe como Inteligência absoluta que criou o Universo e tudo o que ele contém e, por outro lado, na certeza de que o Ser Humano tem uma alma que Dele emana. Melhor ainda, consideramos que Deus Se manifesta em toda a Criação através das leis que o Ser Humano deve estudar, compreender e respeitar, para sua maior felicidade. De fato, consideramos que a Humanidade evolui para a compreensão do Plano divino e está destinada a criar na Terra uma Sociedade ideal. Esse humanismo espiritualista pode parecer utópico, mas unimo-nos a Platão, que declarou em A República: “A Utopia é a forma de Sociedade ideal. Talvez seja impossível de realizar na Terra, mas é nela que um sábio deve depositar todas as suas esperanças”.





Neste período de transição da História, a Regeneração da Humanidade nos parece mais que nunca possível em virtude da convergência das consciências, da generalização das trocas internacionais, da expansão da mestiçagem cultural, da universalização da informação, bem como da interdisciplinaridade que existe desde já entre os diferentes ramos do saber. Mas consideramos que essa Regeneração, que deve funcionar tanto no plano individual quanto no coletivo, só se pode fazer privilegiando-se o ecletismo e seu corolário, a tolerância. Com efeito, nenhuma instituição política, nenhuma religião, nenhuma filosofia, nenhuma ciência detém o monopólio da Verdade. Isto posto, podemos nos aproximar dessa Regeneração colocando em comum o que essas instituições têm de mais nobre a oferecer aos seres humanos, o que redunda em buscar a unidade através da diversidade.


Cedo ou tarde, as vicissitudes da existência levam o Ser Humano a se interrogar quanto à razão de sua presença na Terra. Essa busca de uma justificativa é natural, pois é parte Integrante da alma humana e constitui o fundamento de sua evolução. Por outro lado, os eventos que balizam a História não se justificam somente pelo fato de que existem; eles postulam uma razão que lhes é exterior. Pensamos que essa própria razão se integra a um processo espiritual que incita o Ser Humano a se questionar quanto aos mistérios da vida, donde o interesse que ele algum dia atribui ao misticismo e à “busca da Verdade”. Se essa busca é natural, acrescentamos que o Ser Humano é impelido à esperança e ao otimismo por uma injunção de sua natureza divina e por um instinto biológico de sobrevivência. Nisso, a aspiração à Transcendência aparece como uma exigência vital da espécie humana.














No tocante à política, consideramos que é imperativo que ela se renove. Dentre os grandes modelos do século XX, o marxismo-leninismo e o nacional-socialismo, baseados em postulados sociais pretensamente definitivos, levaram a uma regressão da razão e, finalmente, à barbárie. Os determinismos correlatos com essas duas ideologias totalitárias contrastaram fatalmente com a necessidade de autodeterminação do Ser Humano, traindo assim seu direito à liberdade e escrevendo, no mesmo golpe, algumas das páginas mais negras da História. E a História desqualificou a ambas, esperemos que para todo o sempre. Seja o que for que se pense disso, os sistemas políticos baseados num monologismo, isto é, num pensamento único, têm com freqüência em comum o fato de imporem ao Ser Humano “uma doutrina da salvação” que se presume libertá-lo de sua condição imperfeita e elevá-lo a um status “paradisíaco”. Por outro lado, a maioria deles não pede ao cidadão que reflita e sim que creia, o que os assemelha, na realidade, a “religiões laicas”.


Ao contrário, correntes de pensamento como o rosacrucianismo não são monológicas e sim dialógicas e pluralistas. Em outras palavras, encorajam o diálogo com outrem e favorecem as relações humanas. Paralelamente, aceitam a pluralidade de opiniões e a diversidade dos comportamentos. Tais correntes se nutrem, portanto, de trocas, de interações e mesmo de contradições, coisa que as ideologias totalitárias proíbem e se proíbem. É, aliás, por esta razão que o Pensamento Rosacruz sempre foi rejeitado pelos totalitarismos, qualquer que fosse a sua natureza. Desde suas origens, nossa Fraternidade preconiza o direito individual de forjar suas idéias e expressá-las de maneira totalmente livre. Nisso, os rosacruzes não são necessariamente livres-pensadores, mas todos são pensadores livres.


No estado atual do mundo, parece-nos que a democracia continua a ser a melhor forma de governo, o que não exclui certas fraquezas. Com efeito, sendo toda verdadeira democracia baseada na liberdade de opinião e de expressão, nela se encontram, geralmente, uma pluralidade de tendências, tanto entre os governantes como entre os governados. Infelizmente, essa pluralidade com freqüência gera divisão, com todos os conflitos que disso resultam. Assim é que a maioria dos Estados democráticos manifesta facções que se opõem continuamente e de maneira quase sistemática. Essas facções políticas, gravitando o mais das vezes em torno de uma maioria e de uma oposição, não nos parecem mais adaptadas às sociedades modernas e desaceleram a Regeneração da Humanidade. O ideal nessa matéria seria que cada nação favorecesse a emergência de um governo que reunisse, todas as tendências amalgamadas, as personalidades mais aptas a dirigir os negócios do Estado. Por extensão, fazemos votos de que um dia exista um Governo mundial representativo de todas as nações, do qual a ONU é apenas um embrião.








No tocante à economia, consideramos que ela está comple­tamente à deriva. Todo mundo pode constatar que ela condiciona cada vez mais a atividade humana e é cada vez mais normativa. Hoje em dia ela assume a forma de redes estruturadas muito influentes e, portanto, dirigistas, quaisquer que sejam suas aparências. Por outro lado, mais que nunca ela funciona a partir de valores determinados que se pretende quantificáveis: custo de produção, limiar de rentabilidade, avaliação do lucro, duração do trabalho, etc. Esses valores são consubstanciais com o sistema econômico atual e lhe fornecem os meios de alcançar os fins que persegue. Infelizmente, esses fins são fundamentalmente materialistas, porque baseados no lucro e no enriquecimento excessivo. Assim é que se chegou a colocar o Ser Humano a serviço da economia, quando essa economia é que deveria ser colocada ao serviço do Ser Humano.


Em nossos dias, todas as nações são tributárias de uma economia mundial que se pode qualificar como totalitária. Esse totalitarismo econômico não corresponde às mais elementares necessidades de centenas de milhões de pessoas, ao passo que as massas monetárias nunca foram tão colossais no plano mundial. Isto significa que as riquezas produzidas pelos homens só beneficiam uma minoria deles, o que deploramos. De fato, constatamos que a defasagem não cessa de se ampliar entre os países mais ricos e os países mais pobres. Pode-se observar o mesmo fenômeno em cada país, entre os mais desprovidos e os mais favorecidos. Consideramos que assim é porque a economia se tornou especulativa demais e porque ela alimenta mercados e interesses que são mais virtuais que reais.


Evidentemente, a economia só cumprirá seu papel quando for colocada a serviço de todos os seres humanos. Isto supõe que se venha a considerar o dinheiro pelo que ele deve ser, a saber, um meio de troca e uma energia destinada a proporcionar a cada um aquilo de que ele precisa para viver feliz no plano material. Nisso estamos convictos de que o Ser Humano não está destinado a ser pobre e menos ainda miserável, mas, ao contrário, a dispor de tudo o que possa contribuir para o seu bem-estar, a fim de que possa elevar sua alma, com toda quietude, a planos superiores de consciência. A rigor, a economia deveria ser empregada de tal maneira que não houvesse mais pobres e que toda pessoa vivesse em boas condições materiais, pois isso é a base da dignidade humana. A pobreza não é uma fatalidade; não é tampouco o efeito de um Decreto divino. De maneira geral, resulta do egoísmo dos homens. Esperamos então que chegue o dia em que a economia esteja fundamentada na partilha e na consideração do bem comum. Não obstante, os recursos da Terra não são inesgotáveis e não podem ser partilhados ao infinito, de modo que, certamente, há de ser necessário regular os nascimentos, principalmente nos países superpovoados.














Quanto à ciência, consideramos que ela chegou a uma fase particularmente crítica. É verdade que não se pode negar que ela evoluiu muito e permitiu à Humanidade realizar progressos consideráveis. Sem ela, os homens ainda estariam na idade da pedra. Mas, enquanto os gregos haviam elaborado uma concepção qualitativa da pesquisa científica, o século XVII provocou um verdadeiro sismo, instaurando a supremacia do quantitativo, o que não deixa de guardar relação com a evolução da economia. O mecanicismo, o racionalismo, o positivismo, etc., fizeram da consciência e da matéria dois campos bem distintos e reduziram todo fenômeno a uma entidade mensurável e desprovida de subjetividade. O como eliminou o porquê. Se é um fato que as pesquisas realizadas ao longo das últimas décadas resultaram em descobertas importantes, o ganho financeiro parece ter primado sobre o resto. E chegamos hoje ao ápice do materialismo científico.


Tornamo-nos escravos da ciência, tanto mais que não a submetemos à nossa vontade. Simples falhas tecnológicas podem hoje colocar em perigo as mais avançadas sociedades, o que prova que o Ser Humano criou um desequilíbrio entre o qualitativo e o quantitativo, mas também entre ele próprio e aquilo que criou. Os objetivos materialistas que ele persegue hoje em dia, através da pesquisa científica, acabaram extraviando seu espírito. Paralelamente, eles o afastaram de sua alma e do que nele há de mais divino. Essa excessiva racionalização da ciência é um perigo real que ameaça a Humanidade a médio e talvez mesmo a curto prazo. Com efeito, toda sociedade em que a matéria domina a consciência desenvolve o que há de menos nobre na natureza humana. Em virtude disso ela se condena a desaparecer prematuramente e em circunstâncias o mais das vezes trágicas.


Em certa medida, a ciência tornou-se uma religião, mas uma religião materialista, o que é paradoxal. Fundada numa abordagem mecanicista do Universo, da Natureza e do próprio Ser Humano, ela tem seu próprio credo (“Só acreditar naquilo que veja”) e seu próprio dogma (“Nenhuma verdade fora dela”). Isto posto, observamos no entanto que as pesquisas que ela realiza sobre o como das coisas levam-na cada vez mais a se interrogar sobre o seu porquê, de modo que ela pouco a pouco toma consciência de seus limites e nisso começa a se juntar ao misticismo. Certos cientistas, ainda raros, é verdade, chegaram mesmo a propor a existência de Deus como postulado. É de se notar que a ciência e o misticismo estavam muito ligados na Antiguidade, a tal ponto que os cientistas eram místicos e vice-versa. É precisamente a reunificação desses dois meios de conhecimento que precisa ser realizada no decorrer das próximas décadas.


Tornou-se necessário repensar a questão do saber. Por exemplo, qual é o sentido real da reprodutibilidade de uma experiência? Uma proposição que não se confirme em todos os casos, será ela necessariamente falsa? Parece-nos urgente superarmos o dualismo racional estabelecido no século XVII, pois é nessa superação que reside a verdadeiro conhecimento. Nesta linha de pensamento, o fato de não se poder provar a existência de Deus não é suficiente para se afirmar que ele não existe. A verdade pode ter várias faces; manter somente uma, em nome da racionalidade, é um insulto à razão. Além disso, pode-se verdadeiramente falar em racional e irracional? É a própria ciência racional, ela que crê no acaso? Parece-nos, com efeito, muito mais irracional acreditar nele do que não acreditar. Neste particular, devemos dizer que nossa Fraternidade sempre se opôs à noção comum do acaso, que ela considera uma solução de facilidade e uma fuga ante o real. Nele vemos o que a seu respeito disse Albert Einstein, a saber: “A Senda que Deus adota quando quer permanecer anônimo”.


A evolução da ciência coloca também novos problemas nos planos ético e metafísico. Embora seja inegável que as pesquisas em genética permitiram fazer grandes progressos no tratamento de doenças a priori incuráveis, elas abriram caminho a manipulações que permitem criar seres humanos por clonagem. Este gênero de procriação só pode levar a um empobrecimento genético da espécie humana e à sua degenerescência. Além disso, ela supõe critérios de seleção inevitavelmente marcados pela subjetividade e apresenta, por conseguinte, riscos em matéria de eugenia. Por outro lado, a reprodução por clonagem só leva em conta a parte física e material do ser humano, sem atentar para o espírito nem para a alma. Por isso consideramos que essa manipulação genética fere, não somente sua dignidade, mas também sua integridade mental, psíquica e espiritual. Nisso aderimos ao adágio, ciência sem consciência é a ruína da alma. Na História, a apropriação do Ser Humano pelo Ser Humano só deixou tristes lembranças. Parece-nos então perigoso permitir livre curso às experiências relativas à clonagem reprodutora do ser humano em particular e dos seres vivos em geral. Temos os mesmos receios a propósito das manipulações que tangem ao patrimônio genético dos animais como ao dos vegetais.














Quanto à tecnologia, constatamos que ela também está em plena mutação. Os homens sempre procuraram fabricar ferramentas e máquinas para melhorar suas condições de vida e para serem mais eficazes em seu trabalho. Em seu aspecto mais positivo, esse desejo tinha originalmente três objetivos principais: permitir-lhes realizar coisas que não podiam fazer usando somente suas mãos; poupá-los do sofrimento e da fadiga; ganhar tempo. É preciso notar também que, durante séculos, para não dizer milênios, a tecnologia só foi empregada para ajudar ao Ser Humano em trabalhos manuais e atividades físicas, ao passo que em nossos dias ela o assiste ainda no plano intelectual. Por outro lado, por muito tempo ela se limitou a procedimentos mecânicos que requeriam a intervenção direta do Ser Humano e não ameaçavam ou pouco ameaçavam o ambiente.


Desde então, a tecnologia se fez onipresente e constitui o coração das sociedades modernas, a ponto de que se tornou quase indispensável. Suas aplicações são múltiplas e ela passou a integrar procedimentos tanto mecânicos quanto elétricos, eletrônicos, de informática, etc. Infelizmente, toda medalha tem seu verso e as máquinas se tornaram um perigo para o próprio Ser Humano. Com efeito, embora elas fossem idealmente destinadas a ajudá-lo e a poupá-lo do sofrimento, chegaram ao ponto de substituí-lo. Por outro lado, não se pode negar que o desenvolvimento progressivo do maquinismo provocou certa desumanização da sociedade, no sentido de que reduziu consideravelmente os contatos humanos, entendendo-se aqui os contatos físicos e diretos. A isso acrescentam-se todas as formas de poluição que a industrialização gerou em muitos campos.


O problema colocado atualmente pela tecnologia provém do fato de que ela evoluiu muito mais rápido do que a consciência humana. Consideramos também que é urgente que ela rompa com o modernismo atual e se torne um agente de humanismo. Para isso é imperativo recolocar o Ser Humano no centro da vida social, o que, em conformidade com o que dissemos a respeito da economia, implica recolocar a máquina a seu serviço. Essa perspectiva requer total reconsideração dos valores materialistas que condicionam a sociedade atual. Isso supõe, por conseguinte, que todos os homens voltem a se centrar em si mesmos e enfim compreendam que é preciso privilegiar a qualidade de vida e cessar essa corrida desenfreada contra o Tempo. Ora isso só será possível se eles reaprenderem a viver em harmonia, não somente com a Natureza, mas também com eles próprios. O ideal seria que a tecnologia evoluísse de tal maneira que libertasse o Ser Humano das tarefas mais penosas e ao mesmo tempo lhe permitisse desabrochar harmoniosamente em contato com os outros.















Quanto às grandes religiões, consideramos que elas manifestam atualmente dois movimentos contrários: um, centrípeto e, o outro, centrífugo. O primeiro consiste numa prática radical que se pode observar sob forma de integrismos no seio do cristianismo, do judaísmo, do islamismo ou do hinduísmo, entre outros. O segundo se traduz por um abandono de seu credo em geral e de seus dogmas em particular. O indivíduo não mais aceita manter-se na periferia de um sistema de crenças, mesmo que se trate de uma religião dita revelada. Doravante, ele quer se colocar no centro de um sistema de pensamento resultante de sua própria experiência. Nisso, a aceitação dos dogmas religiosos não é mais automática. Os crentes adquiriram certo senso crítico a respeito das questões religiosas e a validade de suas convicções corresponde cada vez mais a uma validação pessoal. Onde a necessidade de Espiritualidade produziu outrora algumas religiões com forma arborescente (a forma de uma árvore bem enraizada em seu solo sócio-cultural, que elas aliás contribuíram para enriquecer), hoje ela toma a forma de uma estrutura em rizoma, feita de arbustos múltiplos e variados. Mas, o Espírito não sopra onde quer?


Assim é que aparecem hoje em dia, à margem ou no lugar das grandes religiões, grupos de afinidades, comunidades de idéias ou movimentos de pensamento, no seio dos quais as doutrinas, mais propostas que impostas, são admitidas por uma adesão voluntária. Independentemente da natureza intrínseca dessas comunidades, desses grupos ou desses movimentos, sua multiplicação traduz uma diversificação da busca espiritual. De maneira geral, consideramos que essa diversificação se deve ao fato de que as grandes religiões, que respeitamos como tais, não detêm mais o monopólio da fé. E assim é porque elas respondem cada vez menos ao questionamento do Ser Humano e não mais o satisfazem no plano interior. É talvez também porque elas se afastaram da Espiritualidade. Ora, esta, embora imutável em essência, procura constantemente se expressar através de veículos cada vez mais adaptados à evolução da Humanidade.


A sobrevivência das grandes religiões depende mais que nunca de sua aptidão para renunciar às crenças e posições mais dogmáticas que elas adotaram com o passar dos séculos, tanto no plano moral como no doutrinário. Para que elas perdurem, devem imperiosamente se adaptar à sociedade. Se não se derem conta, nem da evolução das consciências nem do progresso da ciência elas se condenarão a desaparecer a um prazo mais ou menos longo, não sem provocar ainda mais conflitos étnico-sócio-religiosos. Mas, na realidade, presumimos que seu desaparecimento é inevitável e que, sob o efeito da globalização das consciências, elas darão nascimento a uma Religião universal que integrará o que elas tinham de melhor a oferecer à Humanidade para a sua Regeneração. Por outro lado, pensamos que o desejo de conhecer as leis divinas, isto é, as leis naturais, universais e espirituais, há de cedo ou tarde suplantar a necessidade exclusiva de crer em Deus. Nisso, postulamos que a crença um dia dará lugar ao Conhecimento.















No que concerne à moral, no sentido que damos a esta palavra que se tornou ambígua, consideramos que ela está cada vez mais injuriada. Para nós ela não designa obediência cega a regras (para não dizer a dogmas) sociais, religiosas, políticas ou outras. Ora, é assim que muitos de nossos concidadãos percebem a moral dos nossos dias e daí vem sua atual rejeição. Consideramos antes que ela se relaciona com o respeito que todo indivíduo deveria ter para com ele próprio, os outros e o ambiente. O respeito a si mesmo consiste em viver segundo suas próprias idéias e não em se fundamentar nos comportamentos que se reprova nos outros. O respeito aos outros consiste, simplesmente, em não fazermos ao nosso semelhante o que não gostaríamos que ele nos fizesse, o que todos os sábios do passado ensinaram. Quanto ao respeito ao ambiente, ousamos dizer que ele vem naturalmente: respeitar a natureza e preservá-la para as gerações futuras. Vista sob esse ângulo, a moral implica um equilíbrio entre os direitos e os deveres de cada um, o que lhe dá uma dimensão humanística que nada tem de moralizadora.


A moral, no sentido que vimos de definir, coloca todo o problema da educação. Ora, esta nos parece perdida. A maioria dos pais já desistiu nesse campo ou não tem mais as referências necessárias para educar corretamente seus filhos. Muitos deles descarregam sua responsabilidade nos professores, para dissimular essa carência. Todavia, o papel de um professor não é antes de tudo de instruir, ou seja, de transmitir conhecimentos? Quanto à educação, consiste antes em inculcar valores cívicos e éticos. Nisso compartilhamos a idéia de Sócrates, que via nela “a arte de despertar as virtudes da alma”, tais como a humildade, a generosidade, a honestidade, a tolerância, a benevolência, etc. Independentemente de toda consideração de natureza espiritual, consideramos que são essas virtudes que os pais e os adultos em geral deveriam inculcar nas crianças. Naturalmente, isso implica, se não que eles próprios as tenham adquirido, ao menos que tenham consciência da necessidade de adquiri-las.


Com certeza o leitor sabe que os rosacruzes do passado praticavam a alquimia material, que consistia em transmutar metais inferiores em ouro, principalmente o estanho e o chumbo. O que freqüentemente se ignora é que eles também se dedicavam à alquimia espiritual. Nós, rosacruzes dos tempos atuais, damos prioridade a essa forma de alquimia, pois é dela que mais do que nunca o mundo necessita. Essa alquimia consiste, para todo ser humano, em transmutar cada um de seus defeitos em sua qualidade oposta, a fim de, precisamente, adquirir as virtudes a que já nos referimos. Pensamos, com efeito, que são essas virtudes que fazem a dignidade humana, pois o Ser Humano só é digno do seu status se as expressa através do que pensa, diz e faz. Não há dúvida de que, se todos os indivíduos, sejam quais forem suas crenças religiosas, suas idéias políticas ou outras, fizessem o esforço de adquiri-las, o mundo seria melhor. Assim, pois, a Humanidade pode e deve se regenerar, mas é preciso, para isso, que todo ser humano se regenere, inclusive no plano moral.


















Quanto à arte, consideramos que ela seguiu, durante os séculos passados e mais particularmente durante as últimas décadas, um movimento de intelectualização que a levou a uma crescente abstração. Esse processo cindiu a arte em duas correntes opostas: uma arte elitista e uma arte popular. A arte elitista é precisamente aquela que se expressa através do abstrato e cuja compreensão está o mais das vezes limitada àqueles que se dizem iniciados ou que se diz que são iniciados. Por uma reação natural, a arte popular se opõe a essa tendência, acentuando sua maneira de traduzir o concreto, às vezes de maneira excessivamente figurativa. Mas, por paradoxal que isso pareça, ambas mergulham cada vez mais na matéria, tanto é verdadeiro que os extremos se tocam. Assim foi que a arte se tornou, estrutural e ideologicamente, materialista, à imagem da maioria dos campos da atividade humana. Hoje em dia ela traduz mais os impulsos do ego do que as aspirações da alma, o que lamentamos.


Acreditamos que a arte verdadeiramente inspirada consiste em traduzir no plano humano a beleza e a pureza do Plano Divino. Neste particular, barulho não é música; borradela não é pintura; trituração não é escultura; extravasamento não é dança. Quando não são efeitos da moda, são meios de expressão que traduzem uma mensagem sociológica que seria um equívoco negligenciar. Pode-se naturalmente apreciar essas coisas, mas parece-nos inconveniente qualificá-las como artísticas. Para que as artes participem na Regeneração da Humanidade, consideramos que elas devem colher sua inspiração nos arquétipos naturais, universais e espirituais, o que implica que os artistas “se elevem” a esses arquétipos, em lugar de “descerem” aos estereótipos mais comuns. Paralelamente, é absolutamente necessário que as artes se dêem uma finalidade estética. Tais são, para nós, as duas principais condições a reunir para que elas contribuam realmente para a elevação das consciências e sejam a expressão humana da Harmonia Cósmica.











No tocante às relações do Ser Humano com seus semelhantes, consideramos que elas são cada vez mais interesseiras e deixam cada vez menos lugar ao altruísmo. É verdade que se manifestam impulsos de solidariedade, mas isso acontece o mais das vezes fortuitamente, por ocasião de catástrofes (inundações, tempestades, tremores de terra, etc.). Em situações normais, é o cada um por si que predomina nos comportamentos. Pensamos que também essa ascensão do individualismo é uma conseqüência do materialismo excessivo que grassa atualmente nas sociedades modernas. Não obstante, o isolamento que decorre disso deveria acabar, cedo ou tarde, gerando o desejo e a necessidade de renovar o contato com os outros. Por outro lado, pode-se esperar que essa solitude leve cada um a se interiorizar mais e a se abrir finalmente para a Espiritualidade.


A generalização da violência nos parece também muito preocupante. É verdade que ela sempre existiu, mas está se manifestando cada vez mais nos comportamentos individuais. O que é mais grave ainda é que ela se manifesta cada vez mais cedo. Neste começo do século XXI, uma criança mata uma outra, aparentemente sem nenhum sentimento. A essa violência efetiva acrescenta-se uma violência fictícia que invadiu as telas de cinema e de televisão. A primeira inspira a segunda e esta alimenta aquela, criando um círculo vicioso que é mais que tempo de deter. Nisso, se é inegável que a violência tem múltiplas causas (miséria social, ruptura da família, desejo de vingança, necessidade de dominação, sentimento de injustiça, etc.), seu fator mais determinante não é outro senão a própria violência. Evidentemente, essa cultura da violência é perniciosa e não pode ser construtiva, tanto mais que, pela primeira vez na História conhecida, a Humanidade tem os meios de se autodestruir em escala planetária.


Num paradoxo dos tempos modernos, constatamos por outro lado que, na era da comunicação, os indivíduos praticamente não se comunicam mais. Os membros de uma mesma família não dialogam mais entre si, tão ocupados estão em escutar o rádio, assistir à televisão ou surfar na Internet. A mesma constatação se impõe num plano mais geral: a telecomunicação suplanta a comunicação propriamente dita. Com isso ela instala o Ser Humano numa grande solidão e reforça o individualismo a que já nos referimos. Que sejamos bem compreendidos: o individualismo, como direito natural a viver de maneira autônoma e responsável, absolutamente não nos parece condenável; bem ao contrário. Mas, que ele se torne um modo de vida baseado na negação do outro, parece-nos particularmente grave, pois contribui para a desagregação do meio familiar e do sistema social.


Por contraditório que pareça, consideramos que a atual falta de comunicação entre nossos concidadãos resulta em parte de um excesso de informação. Naturalmente, não se trata de se reconsiderar o dever de informar e o direito de ser informado, pois ambos são os pilares de toda democracia verdadeira. Parece-nos, no entanto, que a informação se tornou ao mesmo tempo excessiva e invasora, a ponto de gerar o seu oposto: a desinformação. Lamentamos igualmente que ela seja focalizada acima de tudo na precariedade da condição humana e tanto ponha em epígrafe os aspectos negativos do comportamento humano. Assim fazendo ela nutre, no melhor, o pessimismo, a tristeza e o desespero; no pior, a suspeição, a divisão e o rancor. Se é legítimo mostrar o que participa na feiúra do mundo, é do interesse de todos revelar o que compõe a sua beleza. Mais que nunca o mundo tem necessidade de otimismo, esperança e unidade.


A compreensão do Ser Humano pelo Ser Humano constituiria um avanço considerável, mais radical ainda do que o impulso científico e tecnológico que o século XX conheceu. Por isso toda sociedade deve favorecer os encontros diretos entre seus membros, mas também abrir-se para o mundo. Nisso defendemos a causa de uma Fraternidade humana que faça de todo indivíduo um Cidadão do mundo, o que supõe que se ponha termo a toda discriminação ou segregação de ordem racial, étnica, social, política ou outra. Finalmente, trata-se de empreender o advento de uma Cultura da Paz, fundada na integração e na cooperação, coisa em que os rosacruzes sempre se empenharam. Sendo a Humanidade uma em essência, sua felicidade só é possível favorecendo a de todos os seres humanos, sem exceção.












A propósito das relações do Ser Humano com a Natureza, consideramos que elas nunca foram tão ruins num plano de conjunto. Todo mundo pode constatar que a atividade humana tem efeitos cada vez mais nocivos e degradantes sobre o ambiente. No entanto, é evidente que a sobrevivência da espécie humana depende de sua aptidão para respeitar os equilíbrios naturais. O desenvolvimento da Civilização gerou muitos perigos decorrentes de manipulações biológicas relativas à alimentação, à utilização em grande escala de agentes poluentes, à acumulação mal controlada de resíduos nucleares, para citarmos apenas alguns riscos principais. A proteção da Natureza e, portanto, a salvaguarda da Humanidade, tornou-se uma questão de cidadania, ao passo que antes só dizia respeito aos especialistas. Ademais, ela se impõe doravante no plano mundial. Isso é ainda mais importante porque o próprio conceito de Natureza mudou e porque o Ser Humano está se sentindo parte integrante dela; não se pode mais falar, hoje em dia, em Natureza em si mesma. A Natureza há de ser, portanto, aquilo que o Ser Humano queira que ela seja.


Uma das características da época atual é seu grande consumo de energia. Esse fenômeno não seria em si mesmo inquietante se fosse produzido com inteligência. Observamos, no entanto, que as fontes naturais estão sendo superexploradas e estão se esgotando gradativamente (carvão, gás, petróleo). Por outro lado, certas fontes de energia (centrais nucleares) apresentam riscos consideráveis, muito difíceis de dominar. Notamos também que, a despeito de recentes tentativas de acordo, certos perigos, como a emissão de gás com efeito-estufa, a desertificação, o desmatamento, a poluição dos oceanos, etc., não são objeto de medidas adequadas, por falta de uma vontade suficiente. Além do fato de que essas agressões ao ambiente fazem com que a Humanidade corra riscos muito graves, elas traduzem uma grande falta de maturidade, tanto no plano individual quanto no coletivo. Seja o que for que se diga, consideramos que as anormalidades climáticas atuais, com seu cortejo de tempestades, inundações, etc., são uma conseqüência das agressões que os homens infligem há muito tempo ao nosso planeta.


Evidentemente, um outro problema importante não deixará de se impor de modo mais ou menos crucial no futuro: o problema da água. Ela é um elemento indispensável à manutenção e ao desenvolvimento da vida. Sob uma forma ou outra, todos os seres vivos dela necessitam. O Ser Humano não é exceção a essa lei natural, mesmo porque seu corpo contém 70% de água. Ora, o acesso a um volume constante atual de água doce está hoje limitado a no máximo para seis habitantes no globo, proporção esta que ameaça reduzir-se para somente quatro habitantes antes de meio século, devido ao au­mento da população mundial e da poluição dos rios e dos riachos. Os maiores especialistas concordam em dizer, hoje em dia, que o “ouro branco” será, mais que o “ouro negro”, o jogo do século, com todos os riscos de conflitos que isso implica. Uma tomada de consciência global desse problema também se impõe.


A poluição do ar encerra ainda perigos consideráveis para a vida em geral e para a espécie humana em particular. A indústria, o aquecimento e os transportes, participam numa degradação de sua qualidade e poluem a atmosfera, fonte de riscos para a saúde pública. As zonas urbanas são as mais atingidas por esse fenômeno, que ameaça então se ampliar na medida da urbanização. Nessa linha de pensamento, a hipertrofia das cidades constitui um perigo não negligenciável para o equilíbrio das sociedades. A propósito de seu crescimento, adotamos a opinião que Platão, ao qual já nos referimos, emitiu em sua época: “Até ao ponto em que, aumentada, ela conserve sua unidade, a cidade poderá se estender, mas não além desse ponto”. O gigantismo não pode favorecer o humanismo no sentido com que já o definimos. Ele acarreta necessariamente desarmonia no seio das grandes cidades, gerando mal-estar e insegurança.


O comportamento do Ser Humano para com os animais também faz parte de suas relações com a Natureza. Ele tem o dever de amá-los e respeitá-los. Todos participam na cadeia da vida tal como se manifesta na Terra e todos são agentes da Evolução. Ao seu nível, eles são também veículos da Alma Divina e participam no Plano Divino. Vamos mesmo ao ponto de considerar que os mais evoluídos dentre eles são seres humanos em devir. Por todas essas razões, consideramos indignas as condições em que muitos deles são criados e abatidos. Quanto à vivissecção, nela vemos um ato de barbárie. De maneira geral, consideramos que a fraternidade deve incluir todos os seres que a vida pôs no mundo. Compartilhamos também essas proposições atribuídas a Pitágoras: “Enquanto os homens continuarem a destruir sem piedade os seres vivos dos reinos inferiores, não conhecerão nem a santidade nem a paz. Enquanto eles massacrarem os animais, haverão de se matar entre si. Com efeito, quem semeia morticínio e dor não pode colher alegria e amor”.












Com respeito às relações do Ser Humano com o Universo, consideramos que elas se baseiam na interdependência. Sendo o Ser Humano um filho da Terra e a Terra uma filha do Universo, o Ser Humano é então um filho do Universo. Assim é que os átomos que compõem o corpo humano provêm da Natureza e são encontrados nos confins do Cosmo, o que leva os astrofísicos a dizer que “O Ser Humano é um filho das estrelas”. Mas, se o Ser Humano está em débito com o Universo, este também deve muito a ele; não a sua existência, é claro, mas sua razão de existir. Com efeito, que seria o Universo se os olhos do Ser Humano não o pudessem contemplar, se sua consciência não o pudesse apreender, se sua alma não pudesse nele se refletir? Na realidade, O Universo e o Ser Humano precisam um do outro para se conhecerem e mesmo se reconhecerem, o que não deixa de lembrar o célebre adágio: “Conhece a ti mesmo e conhecerás o Universo e os Deuses”.


Não cabe todavia deduzir que nossa concepção da Criação seja antropocêntrica. De fato, não fazemos do Ser Humano o centro do Plano Divino. Digamos antes que fazemos da Humanidade o centro de nossas preocupações. Segundo o nosso pensamento, sua presença na Terra não é fruto do acaso ou de um concurso de circunstâncias. Ela é conseqüência de uma Intenção que teve origem na Inteligência Universal que é comumente chamada de Deus. Ora, se Deus, devido à Sua Transcendência, é incompreensível e ininteligível, não acontece o mesmo com as leis pelas quais Ele se manifesta na Criação. Como já o mencionamos, o Ser Humano tem o poder, se não o dever, de estudar essas leis e de aplicá-las para o seu bem-estar material e espiritual. Pensamos mesmo que é nesse estudo e nessa aplicação que residem, não somente sua razão de ser, mas também sua felicidade.


As relações do Ser Humano com o Universo colocam ainda a questão de saber se a vida existe em outros lugares além da Terra. Estamos convencidos disto. Dado que o Universo contém cerca de cem bilhões de galáxias e cada galáxia cerca de cem bilhões de estrelas, existem provavelmente milhões de sistemas solares comparáveis ao nosso. Por conseguinte, pensar que só o nosso planeta é habitado nos parece muito redutor e constitui uma forma de egocentrismo. Dentre as formas de vida que povoam outros mundos, algumas são provavelmente mais evoluídas do que as que existem na Terra; outras, menos. Mas todas fazem parte do mesmo Plano Divino e participam na Evolução Cósmica. Quanto a saber se extraterrestres podem contatar nossa Humanidade, consideramos que sim, mas não fazemos disso objeto de nenhuma expectativa. Temos outras prioridades. Isto posto, o dia em que se fizer esse contato, pois ele há de ocorrer, constituirá um evento sem precedente. Com efeito, a História do Ser Humano se fundirá à da Vida Universal…








EPÍLOGO





Caro leitor:


Aí está então o que queríamos lhe dizer através deste Manifesto. Terá ele lhe parecido alarmista? Por razão mesmo de nossa filosofia, esteja no entanto seguro de que somos ao mesmo tempo idealistas e otimistas, posto que temos confiança no Ser Humano e em seu destino. Quando se considera o que ele criou de mais útil e mais belo no campo da ciência, da tecnologia, da arquitetura, da arte, da literatura ou em outros e, quando se pensa nos sentimentos mais nobres que ele é capaz de ter e de expressar, como o maravilhamento, a compaixão, o amor, etc., não se pode duvidar de que ele possui em si algo de divino e de que é capaz de se transcender para fazer o bem. A este respeito pensamos, com o risco de mais uma vez parecermos utopistas, que o Ser Humano tem o poder de fazer da Terra um lugar de paz, de harmonia e de fraternidade. Isso só depende dele.


A situação do mundo atual não é desesperada, mas é preocupante. O que mais nos preocupa, não é tanto o estado da Humanidade quanto o do nosso planeta. Pensamos, com efeito, que o tempo para a evolução espiritual da Humanidade não está contado, pois, como sua alma é imortal, ele tem de certo modo a eternidade para realizar essa evolução. Ao contrário, a Terra está realmente ameaçada a médio prazo, pelo menos como habitat para a espécie humana. O tempo está então contado para ela e consideramos que sua preservação é o verdadeiro jogo do século XXI. É a ela que a política, a economia, a ciência, a tecnologia e, em geral, todos os campos da atividade humana, deveriam se dedicar. Será realmente tão difícil compreender que a Humanidade só poderá encontrar felicidade vivendo em harmonia com as leis naturais e, por extensão, com as leis divinas? Por outro lado, será tão absurdo admitir que ela tenha os meios de se sublimar em seu próprio interesse? Seja como for, se os seres humanos persistirem no atual materialismo, as profecias mais sombrias se realizarão e ninguém será poupado.


Pouco importam as idéias políticas, as crenças religiosas, as convicções filosóficas de cada um. Os tempos não estão mais para divisão, qualquer que seja sua forma, mas para a união; para a união das diferenças, a serviço do bem comum. Nisso, nossa Fraternidade conta em seu quadro com cristãos, judeus, muçulmanos, budistas, hinduístas, animistas e mesmo agnósticos. Reúne também pessoas que pertencem a todas as categorias sociais e representam todas as correntes políticas clássicas. Homens e mulheres nela têm um status de total igualdade e cada membro goza das mesmas prerrogativas. É essa unidade na diversidade que faz a pujança do nosso ideal e da nossa egrégora. Assim é porque a virtude que mais prezamos é a tolerância, isto é, precisamente, o direito à diferença. Isto não faz de nós sábios, pois a sabedoria abrange muitas outras virtudes. Consideramo-nos antes filósofos, ou seja, literalmente, “amantes da sabedoria”.












Antes de selar esta Positio e lhe dar assim a marca da nossa Fraternidade, desejamos encerrá-la com uma invocação que traduz o que se poderia qualificar como a Utopia Rosacruz, no sentido platônico do termo. Apelamos à boa vontade de todos e de cada um, para que essa Utopia se torne um dia realidade, para o maior bem da Humanidade. Talvez esse dia nunca chegue, mas, se todos os seres humanos se esforçarem para acreditar nisso e agir em conformidade com isso, o mundo só poderá ser melhor…





Utopia Rosacruz





Deus de todos os seres humanos, Deus de toda vida, Na Humanidade com que sonhamos:

Os políticos são profundamente humanistas e trabalham a serviço do bem comum.

Os economistas gerem as finanças dos Estados com discernimento e no interesse de todos,

Os sábios são espiritualistas e buscam sua inspiração no Livro da Natureza,

Os artistas são inspirados e expressam em suas obras a beleza e a pureza do Plano Divino,

Os médicos são motivados pelo amor ao próximo e cuidam tanto das almas quanto dos corpos,

Não há mais miséria nem pobreza, pois cada qual tem aquilo de que precisa para viver feliz,

O trabalho não é mais vivenciado como uma coerção, mas como uma fonte do desabrochar e de bem-estar,

A natureza é considerada como o mais belo dos templos e os animais como nossos irmãos em via de evolução,

Há um Governo mundial, formado pelos dirigentes de todas as nações, trabalhando no interesse de toda a Humanidade,

A espiritualidade é um ideal e um modo de vida que têm sua fonte numa Religião universal, baseada mais no conhecimento das leis divinas do que na crença em Deus,

As relações humanas são fundadas no amor, na amizade e na fraternidade, de modo que o mundo inteiro vive em paz e harmonia.







Assim Seja!



Selado a 20 de março de 2001







Ano Rosacruz 3354






Documento registrado no 4º Ofício de Registro de Títulos e Documentos da Comarca de Curitiba-PR, protocolo nº 16231-A de 02 de agosto de 2001.





Sua opinião e comentários sobre o MANIFESTO serão bem-vindos.

Envie para o e-mail r+c@amorc.org.br






segunda-feira, 27 de junho de 2011

O Conde de Saint Germain

O Conde de St. Germain (Transilvânia, 28 de Maio de 1696Eckernförde (?), 27 de fevereiro de 1784) foi uma das figuras mais misteriosas do século XVIII. Tido como místico, alquimista, ourives, lapidador de diamantes, cortesão, aventureiro, cientista, músico e compositor. Após a data de sua morte (de precisão incerta), várias organizações místicas o adotaram como figura modelo. Segundo relatos antigos, era imortal e possuía o elixir da juventude e a pedra filosofal.


O fato de nunca ter revelado sua verdadeira identidade levou a muitas especulações a respeito de sua origem. Uma das mais plausíveis aponta que o conde seria filho de Francis II Rákóczi, o príncipe da Transilvânia que, na época, estava exilado, ou que seria filho ilegítimo de Marie-Ann de Neubourg, viúva de Carlos II da Espanha, com um certo conde Adanero, que ela conhecera em Bayonne, no sudoeste de França.
O Conde de St. Germain estudou na Itália, possivelmente como protegido do Grão-Duque Gian Gastone (o último descendente dos Médici). As primeiras aparições do Conde de St. Germain deram-se em 1743, em Londres, e em 1745, em Edimburgo, onde ele foi aparentemente preso, acusado de espionagem. Solto, logo adquiriu a fama de ser um virtuose no violino. Tinha hábitos ascéticos e celibatários. Durante esse tempo, conheceu Jean-Jacques Rousseau, que declarou ser a pessoa do Conde "a mais fascinante e enigmática personalidade que já conhecera". Desapareceu subitamente em 1746. Horace Walpole, que conheceu St. Germain em Londres, em 1745, o descreveu: "Ele canta, toca o violino maravilhosamente, compõe, mas é louco e falta-lhe sensibilidade".
Reapareceu em Versalhes, no ano de 1758. Dizia-se ourives e lapidador, bem como trabalhava com tingimentos de tecidos que nunca desbotavam, por terem uma fórmula secreta. Hospedou-se em Chambord, sob a proteção do rei Luís XV, de quem havia angariado a confiança, e também de sua amante, Madame de Pompadour. Nessa época, distribuiu diamantes como presentes, entre a corte, e ganhou a reputação de ter séculos de idade. Nos salões da corte, um mímico, denominado Gower, começou a imitar os maneirismos do Conde, dizendo ter conhecido Jesus Cristo. Em 1760, ele deixou a França, indo para a Inglaterra, cujo Ministro de Estado, duque de Choiseul, tentou prendê-lo.
Depois desses fatos, esteve nos Países Baixos e em São Petersburgo, na Rússia, quando o exército russo colocou Catarina, a Grande no trono. Mais tarde, a destituição do imperador com a substituição por Catarina seria atribuída a uma conspiração do Conde.
No ano seguinte, foi para a Bélgica, onde comprou terras com o nome de Conde de Surmount. Tentou oferecer sua técnica de tratamento de madeira e couro ao Estado. Durante as negociações, que resultaram em nada, na presença do primeiro-ministro Karl Cobenzl, ele transformou ferro em algo com a aparência do ouro. Depois desapareceu por onze anos, para reaparecer em 1774, na Baviera, sob o nome de Conde Tsarogy.
Em 1776 o conde ainda se encontrava na Alemanha com o título de Conde Welldone, ainda oferecendo receitas de cosméticos, vinhos, licores e vários elixires. Impressionou os emissários do rei Frederico com sua capacidade de transmutação de simples metais em ouro. Para Frederico, ele se apresentou como maçom.
Posteriormente, o Conde de St. Germain estabeleceu-se na residência do príncipe Karl de Hesse-Kassel, governador de Schleswig-Holstein, e lá pesquisou a fitoterapia, elaborando remédios para dar aos pobres. Para o príncipe, ele se apresentou como Francis Rákóczi II, príncipe da Transilvânia.
Consta que ele faleceu em 1784, deixando muito pouca coisa para trás. Contudo, existem rumores de que St. Germain teria sido visto em 1835, em Paris, e em 1867, em Milão e no Egito, durante a campanha de Napoleão. Napoleão II mantinha um dossiê sobre ele.
Annie Besant, uma teosofista, disse ter conhecido o conde em 1896. Outro teosofista, C. W. Leadbeater, disse tê-lo encontrado em Roma, em 1926. Um piloto americano, após falha mecânica em sua aeronave em 1932, fez um pouso forçado em uma das montanhas isoladas do Tibet;e entre os monges que o trataram, relatou que havia um homem estranho que teria dito Eu sou o Conde de Saint Germain, e em breve voltarei para a França(sic).
Dizem que certa vez, o Conde de St. Germain assombrou a corte do rei Luís XV, quando o rei reclamou para si possuir um diamante de tamanho médio que, por ter um pequeno defeito, valia apenas seis mil libras e que, se tal falha não existisse, valeria pelo menos o dobro. St. Germain solicitou a pedra e, após um mês, devolveu-a ao joalheiro real, com o mesmo peso, sem que apresentasse a mínima anomalia.
Vários relatos afirmam ter o Conde uma imagem imutável, pois sempre aparentava ter por volta de 45 anos. Madame d'Adhemar, biógrafa e dama da corte de Maria Antonieta, conheceu St. Germain, em Paris, perto de 1760 e relata, em suas memórias, datadas de 12 de maio de 1821, que havia reencontrado o Conde de St. Germain na vigília da morte do Duque de Berri, em 1815, ou seja, 55 anos após, e que incrivelmente, ele aparentava os 45 anos de sempre, não havia envelhecido. Segundo as memórias de Giacomo Casanova, o músico Rameau e Madame de Gergy juraram ter conhecido o Conde de St. Germain em Veneza, em 1710, usando o nome de Marquês de Montferrat, e tê-lo reencontrado com a imutável aparência, em 1775 (se verdade, destruiria as hipóteses de o Conde ser filho do príncipe Francis II Rákóczi ou da Madame de Neubourg).
Homem de personalidade hipnótica, frequentava a corte ocasionalmente e se tornava o centro das atenções em qualquer reunião mas, estranhamente, nunca ninguém o viu comer ou beber o que quer que seja publicamente. A origem de sua renda também é um enigma, pois era um homem rico, detentor de várias pedras preciosas, incluindo diamantes, que gostava de presentear, uma opala, de tamanho monstruoso, e uma safira branca, tão grande quanto um ovo, e de fartura em ouro, sem que se soubesse de onde procediam. Tinha a fama de possuir o elixir da juventude e a pedra filosofal. Conta-se que ele era capaz de produzir diamantes a partir de pedras pequenas comuns. Os diamantes que decoravam seus sapatos valiam a soma considerável de duzentos mil francos. Madame du Hausset relata que, certa vez, estava na presença do Conde e da rainha Maria Antonieta enquanto ele mostrava algumas jóias a ambas; Madame du Hausset comentou brevemente sobre a beleza de uma cruz, decorada com pedras brancas e verdes; no mesmo momento, o Conde quis presenteá-la com a jóia, o que foi recusado. Por insistência da rainha, que achava ser o artefato falso, ela aceitou. Depois de algum tempo Madame du Hausset solicitou ao joalheiro real que avaliasse a cruz, constatando ser ela verdadeira e de valor inestimável.
"Um homem que sabe tudo e que nunca morre" disse Voltaire a respeito do Conde de St. Germain. Assim era visto o Conde na época, já que frustrara várias tentativas, por parte de inúmeras pessoas, em desvendar os verdadeiros fatos sobre a sua origem. Rumores afirmam que o Conde Cagliostro era seu discípulo. O Conde também tinha o hábito de aparecer subitamente em uma roda social e depois sumir por vários anos, sem deixar traços. A última menção ao Conde, feita por antigos cortesãos da corte de Luís XVI, foi em 1822, ocasião em que ele seguiu viagem para a Índia.
Algumas sociedades místicas afirmam ter Saint Germain reencarnado várias vezes, anteriormente, sob a pele de figuras históricas como o Profeta Samuel, Santo Albano, o filósofo grego Proclo, José, pai de Jesus, o mago Merlin, o frade alquimista Roger Bacon, o fundador do Rosacrucianismo Christian Rosenkreuz, o navegador Cristóvão Colombo o político inglês Francis Bacon, tendo sido nesta encarnação o verdadeiro autor das obras atribuídas ao dramaturgo e poeta inglês William Shakespeare.
Hoje em dia, segundo estes místicos, seria um dos Chohans dos Sete Raios. Os Chohans, Senhores, Diretores ou Mestres dos Sete Raios relacionados com a evolução no plano físico cósmico, trabalham em plena harmonia entre si para executarem o Plano Divino.


P.S.: Texto extraido da enciclopédia digital Wikipédia

quarta-feira, 22 de junho de 2011

REAL , VIRTUAL OU ATUAL ?

Base de tema para reflexões e discuções acaloradas, estas três palavras são expostas ao adepto ainda noviço em algumas Escolas Iniciáticas Autênticas como forma de instruir a mente do iniciando e faze-lo refletir acerca da relatividade das coisas e ate mesmo da própria existência.
          Para início de conversa, é preciso esclarecer aqui o conceito de Escola Iniciática Autêntica. Como a própria definição da palavra sugere, AUTÊNTICO é tudo aquilo que tem sua origem confirmada por fontes fidedígnas que atestam sua originalidade através da comprovação de fatos, símbolos e marcas que dão à coisa o carater de autenticidade de originalidade própria ou verdadeira.No caso das Escolas Iniciáticas Autênticas, é preciso mais um predicado para que possam ser aclamadas por Autênticas. Necessitam do endosso de um Mestre Avatar Realizado. Um ser supremo que já transcendeu o ciclo reencarnatório e estão no mesmo nível de Jesus, Buda , Saint Germain, El Moria, K.H.M e outros mais que possam existir e que eu desconheça. Isto é um dogma de fé diriam alguns e assim é e sempre foi.É um dogma de fé sim, ou se acredita ou não.Mas julgo que este dogma é o principal e mais importante fator de seleção para aqueles candidatos às Escolas Iniciáticas. De outra forma tais pretendentes ao estudo e iniciação dos Arcanos Superiores, estariam colocando a orientação de suas mais puras vocações, nas mãos de instituições não autorizadas misticamente à faze-lo.
          Mas voltando ao tema central do texto, as Escolas Iniciáticas propõem aos seus alunos o estudo e distinção entre termos que aparentemente são semelhantes, mas que, intrinsecamente tem características bem distintas. Tais são : a Atualidade, a Realidade e mais recentemente a Virtualidade.
          Segundo a tradição Esotérica, a Atualidade é a verdade absoluta ou a essência das coisas.Já a Realidade é a percepção da existência das coisas.
          Recentemente surgiu também o termo Virtual para expressar a condição gerada por arquétipos construidos artificialmente para simularem o mundo real. Com a informatização do mundo moderno, cada vez mais a Realidade Virtual é utilizada para simular condições reais e dessa forma poder-se estudar e fazer testes de correspondência real, sem os riscos e inconvenientes da realidade física. Por exemplo, um simulador de vôo para treinar pilotos, sem o inconveniente risco real que teriam se treinassem numa aeronave real. Para que possamos entender estes três conceitos expressos por palavras, temos que conhecer as diferenças ou características principais de cada uma. Assim é que :



A Atualidade quanto a :
1) Unicidade_ Tem carater único, ou seja, não é interpretativa.
    Ex.: Estrutura atômica do diamante.Para ser diamante so pode ter essa 
           formação atômica.
2) Essencialidade_ É essencial, de natureza única e pristina.
    Ex.: O diamante é condição única e essencial do cristal.
3) Diversidade_ Embora tenha natureza única,sua manifestação é diversificada.
    Ex.: Existem graus de pureza e côr dos diamantes que diferem uns dos outros.
4) Verdade Absoluta_ A Atualidade não deixa margem de dúvida, é matemática, 
     precisa e única para cada manifestação.
5) Relativismo_ A Atualidade nunca é relativa, é sempre absoluta e não depende
    de interpretação.
6) Causalidade_ Toda Atualidade é causal.Existe sempre uma necessidade "X" 
     para que venha a existir.
7) Transformação_ A Atualidade não se transforma, pois é o fundamento ou 
     natureza primeira de alguma coisa.

A Realidade quanto a :

1) Unicidade_ Não tem carater único.Sua existência é interpretativa.
2) Essencialidade_ Não é essencial, é particular e seus efeitos variam dependendo
    de como é observada.
3) Diversidade_ Também é diversa e multiforme.
4) Verdade Absoluta_ Não é absoluta e sim relativa.
5) Relativismo_ Sim é relativa,depende do ponto de vista do observador.
6) Causalidade_ Sim é causal e sua origem esta na Atualidade.
7) Transformação_ Sim é mutavel.Tanto por auto-trasformação quanto por 
    atuação de força externa.

Quanto a Virtualidade, podemos dizer que tem as mesmas características da Realidade.Então na tabela acima,as colunas Realidade e Virtualidade são iguais. Porém o que isto significa ? Para a mente humana, tudo que pode ser experimentado pelos 5 sentidos físicos, é real. E como o Virtual simula o Universo Real, a persepção da sua existência é tão real quanto a própria realidade.
          Um exemplo para consubstanciar a inter-relação entre Realidade e Virtualidade : Imaginemos como nos jogos de realidade-virtual que um indivíduo é inserido num Mundo Virtual onde a força de gravidade ambiente é proxima da Lua. O participante da experiência estaria praticamente isolado do Mundo Real por equipamentos sensitivos e audio-visuais,como os ja existentes, roupas de contatos e óculos 3D. Digamos então que num estágio mais adiantado de realidade-virtual, possamos também integrar ao sistema mais três dos 5 sentidos : Tato , paladar e olfato, ja que o sincronismo de movimentos e posicionamento espacial também ja existentes, transmitiriam ao nosso personagem uma imersão total no Mundo Virtual. Para o participante, este mundo seria praticamente real e a única distinção ou ponto de contato com o mundo real verdadeiro , seriam sua consciência e memória .
          Seguindo um pouco mais adiante no nosso ensaio, imaginemos agora que nosso participante da experiência tenha sido inserido na mesma desde recem-nascido e após anos de realidade-virtual , tenha sido desligado dos equipamentos e trazido à nossa vida real verdadeira. Alguem duvidaria que para o nosso personagem essa transição para um novo tipo de vida muito se asemelharia à nossa morte ? É lógico que não podemos prever com 100% de acerto o que de fato iria ocorrer com o nosso cobaia,ou que espécie de choque iriam ser produzidos em sua mente e corpo. Talvez o impacto com a nova realidade fosse tão forte ao ponto de leva-lo à morte verdadeira. Em fim,até que tal experiência possa ser feita,não poderemos saber exatamente o quê ocorreria com o indivíduo recem chegado à nossa realidade. Quem sabe se simplesmente chorasse muito,tal qual um bebê recem-nascido. Mas todas essas hipóteses são conjecturas e até lá teremos ainda que esperar.                              
                               
                              
                                   

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Desequilíbrio entre forças contrárias



Todos participamos direta ou indiretamente dos acontecimentos que ocorrem no mundo.Uma lei da física,nos diz que : " A cada ação corresponde uma reação igual e em sentido contrário". Isto ocorre no mundo da matéria sólida e serve para mensurar ou equilibrar as forças gravitacionais que atuam sobre a matéria.Entretanto , a ciência contemporânea, demonstra-nos que existem forças imateriais capazes de atuar sobre campos gravitacionais, alterando estados físicos de repouso dos corpos materiais e até mesmo suas estruturas moleculares, modificando assim propriedades químicas.Pesquisas em laboratórios de tele-cinesia,comprovam que indivíduos treinados ou que apresentam potencial latente de poderes paranormais, são capazes de gerar energia suficiente para movimentar máquinas elétricas, ascender luzes de baixa voltagem ou mesmo mover pequenos objetos.
Tenham em mente que isto não é ficsão-científica, é fato comprovado e demonstravel em laboratórios sob condições especiais.
O Mestre Jesus, dizia que nem uma folha de árvore cai, se não for pela vontade de Deus.A primeira impressão que se tem dessa afirmação, é que ela parece exagerada e própria de mentes muito religiosas.Mas se formos analisar atentamente com espírito desarmado de preconceitos, veremos que há fundamentos sólidos que fazem da assersão  uma lição de sabedoria. Vejamos : Partindo-se do princípio que Deus existe e é anterior a todas as coisas, nada pode acontecer  que não esteja circunscrito ou previsto nos planos de Deus.Assim uma folha cumpre com os desígnios para a qual foi criada.Uma vez que não é eterna e tem sua função específica, é certo que ao término desta função sua existência não tenha mais utilidade para a árvore e por este motivo venha a cair.Entretanto sua próxima função sera adubar a terra preparando o terreno para que outras árvores nasçam.
Mas de que forma a folha vai cair ? Heis aqui um grande mistério.É certo que a folha vai cair um dia, já que não é perene, entretanto é impossível saber como caira. O ideal é que existisse até amarelar e perder sua função de foto-síntese e oxigenação da árvore e também do meio-ambiente.Entretanto a árvore e suas folhas estão sujeitas à variáveis que interferirão drasticamente no tempo de existência daquela folha.Variáveis climáticas,pragas,cadêia alimentar,acidentes geológicos,exaustão do solo etc.Todas estas condições poderão afetar o ciclo natural da folha e faze-la cair antes do tempo normal.
O fato é que no plano original daquela árvore e folhas,estava gravado no DNA da semente,que a folha deveria durar N anos e condições adverssas ao plano original ocorreram, fazendo com que o período de existência normal daquela folha fosse interrompido.
Sabemos pelo estudo das ciências geológicas que a Terra ja foi atingida por vários cataclismas que transformaram radicalmente a face do Planêta, pondo fim a várias espécies de animais e vegetais.Podemos dizer assim que no primórdio dos tempos, tais fenômenos foram naturais,já que,não tiveram a participação do homem como grande transformador do meio ambiente e então aqueles fenômenos ocorridos em eras remotas, estavam previstos nos Planos de Deus.Dessa forma,as transformações na Natureza quando ocorrem sem a intervenção do ser humano, tem propósitos evolutivos e não podem ser classificados pela mente humana como maléficas, pois fazem parte das mutações necessárias para que condições mais favoráveis se estabeleçam, produzindo sempre mais um passo no processo evolutivo do próprio planêta.Logicamente desde que o homem passou a ser o grande agente transformador dos meios naturais,passou também a assumir parte da responsabilidade de tudo que ocorre tanto de bom quanto de ruim.
Evidentemente que todos entendem que anterior a qualquer ação,existe um pensamento ou até mesmo uma verbalização mental a ela associado.Logo, podemos formatar uma idéia em palavras e ideografa-las para posteriormente materializa-las atraves da ação necessária para faze-la surgir no plano material.Se tais ideações são benéficas ou maléficas não é objeto de julgamento pelos meios por onde se fara transmitir,coagular ou cristalizar para usar da linguagem dos alquimistas.De outra forma :Você ja imaginou,e se é verdade que uma só mente pode produzir 1 wat de potência, o quanto de energia pode ser produzida se milhões de mentes se voltassem à um único propósito ? A fome poderia ser extinta, o SUS poderia se transformar em exemplo de excelência em saúde pública,as guerras perderiam a razão de existirem.Muitas doenças poderiam ser curadas desde que houvesse uma vontade real orientada neste sentido. Uma Egrégora do bem seria então criada, se é que ja não exista.O meio em que tais eventos se produzem pode ser chamado de Cósmico, éter ou o corpo místico do próprio Deus.A mente de Deus é  então a nossa mente e em assim sendo, pode ser do bem ou não.Para nossa sorte,quando digo nossa mente,estou me referindo ao somatório das mentes de todos os seres vivos ou não existentes em todo o Universo.
Então,...no que tem pensado você ultimamente ?

segunda-feira, 28 de março de 2011

Saber querer é uma virtude

O que é necessário ter para que sejamos felizes ? Para aqueles de baixa renda que obviamente são a maioria, dinheiro parece ser a resposta natural às nossas necessidades, ja que com ele, poderemos adquirir quase todos os bens materiais disponíveis no mundo. Entretanto, intimamente sabemos que o ditado popular : " Dinheiro não traz felicidade", é verdadeiro, visto que ele não compra bens imateriais, nem mesmo a imunidade à todas as doenças existentes na face da Terra.
    Não me lembro exatamente, qual dos filósofos gregos,para demonstrar o seu desapego aos bens materiais,disse : " Existem um milhão de coisas das quais eu não necessito". Com toda certeza,na época em que o filósofo disse isso, existiam bem menos coisas desejáveis do que existe hoje no mundo moderno.A cada dia surgem coisas novas, tecnologias de ponta, utensílios eletro-eletrônicos e confortos que dão-nos a impressão de saciar os nossos desejos. Tão logo surge um novo produto na praça ,somos bombardeados pela mídia que se esforça em demonstrar-nos que sem determinado artefato não poderemos ser tão felizes.Assim é que adquirimos toda a sorte de objetos, que muita das vezes não são tão necessários quanto a propaganda nos fez crer. Quem não comprou uma centrífuga capaz de extrair suco de todas as coisas e depois descobriu que para limpa-la leva-se três vezes o tempo da extração do suco ? Ou a maquininha digital de fotografias de 2 mega pixels que so fazia 3 ou 4 fotos por vez e gastava pilhas como quê ?
Quem quer estar sintonozado com todas as tecnologias que vão surgindo em alta velocidade, corre eventualmente esses riscos. A indústria muitas vezes lança um protótipo como se fosse um produto ja acabado e testado.As melhorias vão surgindo com o tempo,mas até lá você ja foi o investidor de todas as fases da produção.
    Quando jovens, temos que fazer escolhas que influenciarão o resto de nossas vidas.Que caminho seguir ? Qual a carreira que me trara sucesso ? Com quem me casarei ? Infelizmente,se escolhermos mal, o impacto em nossas vidas podera subtrair muitos anos da nossa felicidade. Começar uma carreira nova ou contrair núpsias novamente, não é nem fácil ,nem simples.Envolvem desde aspéctos físicos,sociais e financeiros, até os psicológicos e morais. Tudo isso naturalmente dependendo da formação basal que tivemos na infância e adolescência. Por quais valores éticos e morais somos guiados ? Tal e qual nossos computadores pessoais multi-tarefas, assim somos avaliados por uma sociedade multi-uso. Eu diria que vivemos uma dissonância entre tempo x velocidade. Cada vez mais,temos menos tempo para pensar, julgar e executar. Penso que assim a chance de erro é muito grande.
    O que é necessário então para se fazer uma boa escolha ? Auto-conhecimento e seriedade de propósitos, são as palavras chave. Sem comprometimento na ação e se desconhecendo quem realmente somos, qualquer decisão ou escolha sera baseada em atribuições supérfluas que enganarão nossos sentidos.
De outra forma, se você acha lindo um batalhão marchando cadenciadamente e uniformemente ao som do Hino-Nacional, isso não significa exatamente que você nasceu para ser um soldado. A pergunta é : Você se submeteria à ordens-unidas ? A acordar às 6:00 hrs da manhã ao som da alvorada ? A exercícios extenuantes até atingir a perfeição da formação ? Teria a humildade de responder Sim Sr. e Não Sr. ao ser indagado por seu superior ? A resposta negativa a qualquer dessas perguntas,significaria que você não seria um bom soldado.
    Então amigo, acautele-se quanto a aparência das suas escolhas ou opções de vida. Indague-se primeiro antes de tomar qualquer decisão. Não se empolgue tanto pelas posibilidades de ganho, pela notoriedade ou charme que a profissão possa ter. Procure se informar dos aspéctos mais desagradaveis de tal cargo e se você seria capaz de suporta-los sem ferir os seus princípios.Uma vez decidido,seja firme e dê o máximo de si.Dessa forma acabaras encontrando o seu caminho,o qual o conduzira ao sucesso tão desejado.Boa sorte !

sábado, 12 de março de 2011

A Terra é um ser vivo !


Sim, a nossa Terra é um ser vivente e como tal passivel de adoecer e adoeceu. Por que temos a tendência de não aceitar o óbvio quando estamos comprometidos como causa de fator negativo ? A resposta é simples.Detestamos constatar nossos erros , mudar nossa atitude diante da inconfesavel negligência, é penoso.Maus hábitos criam vícios difíceis de serem vencidos. Só que quando a verdade chega ofuscando nossos sentidos, somos premidos a agir de modo correto ou dependendo da magnitude do erro, podemos comprometer o bem estar do ser amado, do visinho, da sociedade,do país,do mundo e finalmente da própria Terra. Podemos pensar juntos,agir juntos ? É lógico que sim e fazemos isso a toda hora. Tomamos decisões erradas não só por ignorância das consequências,mas por comodismo,egoismo ,conformismo ou simplesmente por negligência.Você poderia responder qual é o principal pensamento dominante da maioria dos seres humanos nos dias atuais ? Pode parecer difícil responder,mas a julgar pelos noticiários e todos os meios de comunicação, o ser humano da atualidade sabe hoje como nunca dos seus erros e defeitos. O avanço tecnológico torna o ser humano cada vez mais cônscio das suas responsabilidades e do grau de abrangência que suas atitudes produzem.Mas parece que nós continuamos muito viciados em poder,dinheiro,fama,sexo e luxúria de toda sorte.Crimes hediondos cometidos na barbárie são ainda hoje reproduzidos em quantidade assustadora.Líderes tiranos ainda existem a subjulgar seu povo pelo uso da força armada e ainda apelam em vão ao nome de Deus para justificar seus atos covardes.Enquanto isso, gera-se uma blebe enfurecida sem noção de valores humanitários,visto que tais valores lhes foram sonegados.E como julgar o louco enfurecido quando o seu vírus já se espalhou por quase todos os membros do corpo ? Medidas drásticas são muitas vezes necessárias para salvar o corpo doente. Assim age a Terra com a consciência do somatório dos nossos pensamentos.Por que Egrégora queremos ser representados ? Pela Mãe passiva e acolhedora, ou pela enérgica e atormentada Mãe capaz da denúncia à Deus da indignidade de seus filhos.

                                                                   Leia mais sobre o assunto e fique  sabendo o que é a Teoria de Gaia   

quinta-feira, 3 de março de 2011

EXTRAS 6/6 - JESSIER QUIRINO: BANDEIRA NORDESTINA - LITERATO



Quem viveu isso tudo fica mesmo meio descontente com o presente e preocupado com o futuro !
Mas , desfrutem deste maravilhoso menestrel nordestino. E quem disser que não da saudade,tá mentindo. Bravo ! Jessier,Bravo !

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Mater Dei


...E um dia temos que nascer. Para isso precisamos de um Pai e de uma Mãe.Será que podemos escolher quem serão nossos pais ? Será que Deus escolhe por nós de acordo com o aprendizado que deveremos ter na vida ? Seria por merecimento ? Porque convenhamos, há pais que ninguém merece,rs :) Mas definitivamente, não sabemos a resposta a essas indagações. Entretanto,pessoalmente, não gosto da palavra ACASO. Acho que nada ocorre " por acaso", aleatoriamente. Tudo é causal, tem um motivo, uma origem. Logo não existe efeito sem causa. A maioria de nós amamos nossos pais e em especial nossas mães. Por mais óbvio que isto pareça, para muitos e me incluo nestes, um dos dois,pai ou mãe, tem um valor maior e definitivo em nossas vidas. Apesar de ser pai e acreditar-me dos bons, não poderia nunca me igualar à elas. O ditado é verdadeiro : Mãe é mãe e ponto. É lógico que excessões à regra sempre existirão, mas são aberrações ou enfermidades que de tão ínfimas proporcionalmente à grande maioria delas, nem merecem serem comentadas.Mãe é "MA", o princípio feminino,procriador da vida.É maternidade e materialização do AMOR. Não é por outro motivo que estas palavras são formadas pelo prefixo MA - MATER, Matéria, Maternidade, Mãe, Maria e Marieida a minha e muito especial Mãe. Saiba que,para além das aparências e do cotidiano, sou eternamente grato à ti, por ter me dado a oportunidade da expressão neste mundo. E agradeço à Deus por ter me dado à teus cuidados.Cro-Maat !

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Verdades sobre Betelgeuse

Betelgeuse é uma gigantesca estrela vermelha na constelação de Orion.É a 10ª ou 12ª em luminosidade no firmamento e a 2ª mais brilhante da sua constelação Orion. É uma gigante vermelha com diâmetro de 500 à 900 vezes o do nosso Sol.
Para se ter uma idéia de proporção,Betelgeuse estaria para o Sol assim como um estádio de futebol esta para uma bola.Apesar de seu enorme volume é apenas 14 vezes mais massiva que o Sol.
Betelgeuse é um astro de suma importância para a astronomia por vários motivos.Os principais,são que : É uma estrela velha e próxima de sua extinção ou transformação em Super-nova.Esta relativamente próxima da Terra, cerca de 400 anos-luz.É facilmente observavel por telescópios,sendo que os equipados com infraredmeter estudam as variações de temperatura e mesmo das alterações morfológicas da sua calota externa.É portanto uma estrela bem conhecida e estudada  desde o início do século XX.Ultimamente andam surgindo rumores de que Betelgeuse poderia explodir e aniquilar com a vida na Terra.Seria isso possível ? Existem duas correntes de astrônomos que divergem quanto a um possível desastre envolvendo Betelgeuse que pudesse atingir a Terra. Os mais serios e menos alarmistas, afirmam que o máximo que poderia ocorrer, seria realmente a explosão com a criação de uma super-nova que seria vista da Terra a ôlho nú com as dimensões aproximadas de uma lua cheia.Tal evento astronômico não traria prejuizos serios a nossa Terra pela distância que estamos da estrela. Segundo esses cientistas o fenômeno poderia durar por mais de um ano e finalmente desapareceria dos céus.Ja a outra corrente,menos conservadora,pres-
supõe que a super-nova recem criada,poderia se transformar num buraco negro e produzir um efeito em cadêia, sugando literalmente todos os astros mais próximos,o que produziria um desequilíbrio nas órbitas planetárias, provocando provavelmente total destruição do sistema solar.
Mas em que se baseiam estes últimos cientistas para consubstanciar suas expectativas cataclísmicas ?
Para que possamos entender estas afirmações, precisamos nos aprofundar um pouco mais no conceito do que é uma super-nova,assim : Supernova é o nome dado aos corpos celestes surgidos após as explosões de estrelas (estimativa) com mais de 10 massas solares, que produzem objetos extremamente brilhantes, os quais declinam até se tornarem invisíveis, passadas algumas semanas ou meses. Em apenas alguns dias o seu brilho pode intensificar-se em 1 bilhão de vezes a partir de seu estado original, tornando a estrela tão brilhante quanto uma galáxia, mas, com o passar do tempo, sua temperatura e brilho diminuem até chegarem a um grau inferior aos primeiros.

A explosão de uma supernova pode expulsar para o espaço até 90% da matéria de uma estrela. O núcleo remanescente tem massa superior a 1,5 Massas solares, a Pressão de Degenerescência dos elétrons não é mais suficiente para manter o núcleo estável; então os elétrons colapsam com o núcleo, chocando-se com os prótons, originando nêutrons: o resultado é uma estrela composta de nêutrons, com aproximadamente 15 km de diametro e extremamente densa, conhecida como estrela de nêutrons ou Pulsar. Mas, quando a massa desse núcleo ultrapassa 3 massas solares, nem mesmo a Pressão de Degenerescência dos neutrons consegue manter o núcleo; então a estrela continua a se colapsar, dando origem a uma singularidade no espaço-tempo, conhecida como Buraco Negro, cuja Velocidade de Escape é um pouco maior do que a velocidade da luz.

 Para ilustrar,temos à esquerda a super-nova de Keppler e à direita o mapa astronômico da constelação de Orion circundada pelo tracejado amarelo.Ao centro inclinando-se à esquerda esta Betelgeuse.
De tudo que foi dito,uma coisa é certa.Betelgeuse esta chegando ao seu destino final.O que vai suceder exatamente,ainda é impossível prever com exatidão. Entretanto,fica-nos um belo exemplo da temporabilidade da matéria,mesmo em se tratando de Macrocosmos a transformação e evolução dos corpos,memo os celestiais  é inevitavel.Porém não existem perdas.Nem de energia, nem de matéria.Apenas transformação em novas estruturas.Sendo que para nós,místicos e crentes em Deus,seria impossível imaginar que todo o conhecimento acumulado ao longo das eras, a consciência da evolução dos seres viventes poderia ser desperdiçada ou aniquilada para sempre.Não é à-toa que temos um sol e uma lua e condições perfeitas para que a vida como conhecemos pudesse ter se desenvolvido na Terra.Somente uma certeza devemos ter, a de que a Alma é indestrutível e portanto imortal.Então o Mestre Lavoisier tinha a máxima razão ao dizer :NA NATUREZA NADA SE CRIA,NADA SE PERDE.TUDO SE TRANSFORMA.